Com sete novos apêndices e ampla revisão da literatura, a obra traz os principais conceitos da psicopatologia descritiva, com conteúdo seguro e diversos exemplos clínicos, para estudantes e profissionais de psiquiatria, psicologia e saúde mental.
O Manual de Psicopatologia constitui uma proposta de síntese e revisão dos conceitos da psicopatologia descritiva. Após estudo dos principais autores, foi elaborada uma obra que representasse o somatório de todos os textos, privilegiando, nos casos de divergência, geralmente as proposições mais comuns. Cada função psíquica é estudada em um capítulo diferente, e cada capítulo apresenta sua definição, as alterações quantitativas e qualitativas (com diversos exemplos clínicos), a técnica de exame e sua relação com os principais transtornos e síndromes mentais. Também está incluída uma discussão sobre as descobertas das neurociências e as formulações teóricas da psicanálise relacionadas àquela função psíquica. O livro conta ainda com capítulos sobre os conceitos básicos da psicopatologia, a entrevista psiquiátrica e as principais síndromes psiquiátricas. Além disso, traz 13 apêndices, sendo sete novos, que abordam, além das alterações psicopatológicas e do exame psíquico, alguns temas psiquiátricos – como a antiga histeria, o transtorno bipolar e o transtorno esquizoafetivo –, a interface entre neurociência e psicanálise e a relação do cinema com a psicopatologia e a psiquiatria. Com prefácio assinado pelos professores Miguel Chalub, Antonio Egidio Nardi e Humberto Corrêa, esta sétima edição é, entre todas, a que apresenta a mais ampla revisão do texto.
Junto aos manuscritos da sétima edição, revista e ampliada, do Manual de Psicopatologia do professor Elie Cheniaux, recebi o convite para escrever o seu prefácio. Só nessa pequena frase introdutória acima temos várias informações muito relevantes para nossos leitores. Comecemos, primeiramente, pela que pode parecer a mais simples delas. Trata-se da sétima edição de um livro em um mercado editorial que é, no Brasil, podemos assim considerar, restrito. De fato, o número de livros lidos anualmente por cada brasileiro não nos coloca em nenhum ranking internacional de destaque, muitos autores têm dificuldade em publicar suas obras, e muitos livros, por vezes excelentes livros, não passam da sua primeira edição. A sétima edição de um livro é motivo de comemoração e um “atestado” de sucesso! Em segundo lugar, trata-se de um livro de psicopatologia. Podemos dizer que a origem dessa disciplina se dá com Karl Jaspers no seu “A Psicopatologia Geral”, de 1913, que lançou as suas bases e que têm como elementos fundadores uma clínica minuciosa e um rigor filosófico. A psicopatologia, base do exame psiquiátrico, exige tempo, treinamento, disciplina; exige, principalmente, reflexão. Talvez por isso ela ande um pouco esquecida pelas novas gerações, nesses novos “tempos líquidos”, onde tudo parece descartável. Tempos em que se buscam respostas rápidas, prontas, geralmente superficiais, frequentemente erradas ou inadequadas. Mesmo com todos os avanços na psiquiatria nas últimas décadas, da neurobiologia à genética, das novas formas de psicoterapia às modernas terapêuticas farmacológicas e de neuromodulação, que, lembremos, não existiam ao tempo que Jaspers escreveu o seu “Tratado”, a Psicopatologia ainda é fundamental, mas, exige-se agora algo mais que o nosso autor faz com maestria e leveza, a interlocução com as neurociências e a psicoterapia. Em terceiro lugar, trata-se, como dissemos da Sétima(!) Edição, completamente revista e ampliada. Nosso querido autor, Elie Cheniaux, revisou todo o texto e ainda nos brinda com novos seis apêndices. Por todas essas razões, e muitas outras que nosso curto espaço não permite elencar, o Manual De Psicopatologia, esse “pequeno” mas grande livro do Elie Cheniaux, é indispensável a todos os médicos e psicólogos que se interessam pela sublime “ciência-arte” de compreender o ser humano.